Levantamento das propriedades rurais realizado pelo IEA traça cenário abrangente do agro paulista

Com dados de 340 mil unidades de produção no Estado, LUPA fornece subsídios para decisões comerciais e formulação de políticas públicas

O Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária de SP (LUPA), executado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), ambos órgãos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, é responsável por uma completa e abrangente sondagem das propriedades rurais paulistas. Realizada desde a década de 1990, e atualmente em sua terceira edição, a pesquisa é utilizada por empresas e ó rgãos públicos no planejamento de suas ações.

“O LUPA é uma pesquisa com recorte de tempo, em que se levantam os aspectos das propriedades. São mais de 300 variáveis que retratam aspectos econômicos, sociais, produtivos, entre outros”, diz o pesquisador do IEA, Felipe Pires de Camargo. De acordo com ele, o trabalho desenha um retrato confiável, a partir de informação estatística de qualidade, sobre a estrutura fundiária do Estado, técnicas de produção empregadas nas propriedades, culturas desenvolvidas e diversos outros parâmetros. “É um estudo primordial e fundamental. Uma das principais ferramentas de produção de informação estratégica”, ressalta. Para o pesquisador, o LUPA já presta relevantes auxílios na elaboração de políticas públicas, mas tem potencial para servir muito mais a este propósito.

Realizado a cada década, a terceira edição, finalizada em 2017, avaliou 340 mil Unidades de Produção Agropecuária (UPA), por meio de um trabalho bastante capilarizado, que contou com empenho dos pesquisadores do IEA e extensionistas da CATI. “É um trabalho que exige muito esforço e mão de obra, mas tem qualidade e extensão. É fundamental para se ter os levantamentos de tecnologias disponíveis, empregos, irrigação, telefonia e tudo que envolve a realidade agrícola”, afirma Camargo.

O cronograma para a quarta edição já começa a ser estruturado, mas o trabalho a campo ainda não tem prazo para acontecer. “O IEA é uma instituição essencial para produção de informação estratégica e científica. Precisamos acompanhar a dinâmica do agro paulista, que é muito rápida”, sublinha Camargo. Ele menciona que o Instituto recebe muitos contatos e visitas, seja de pesquisadores e gestores públicos seja de membros da iniciativa privada, interessados em se aprofundar na grande gama de dados disponibilizada. “Recebemos visitas com fins acadêmicos, para depuração das informações, para fins logísticos, elaboração de mapas dos municípios e buscando dados sobre segmentos específicos, como o de grãos ou agricultura orgânica, por exemplo”, enumera o especialista, que enfatiza o cuidado com as informações prestadas e o estrito respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Para Camargo, tanto setor público como privado vem entendendo a importância de informação para embasar decisões, sejam mercadológicas seja no âmbito das políticas públicas. “Censos são ferramentas de pesquisa para todos os setores e as finalidades são inúmeras. A informação científica deve figurar no meio agrícola”, resume.

Consciente da importância dos dados agropecuários para o sucesso dos negócios no campo, a empresa Agroicone, sediada na capital paulista, resolveu mergulhar nos resultados trazidos pelo LUPA a fim de extrair conhecimento valioso para suas atividades. Focada em consultoria de agronegócio, boas práticas e sustentabilidade, a empresa vinha buscando identificar parâmetros para aprimorar as negociações relativas ao seguro rural. “Nós trabalhamos com a agenda do agronegócio e política agrícola em geral, crédito rural e seguro rural, e na interface com a adoção de boas práticas agropecuárias”, conta Gustavo Dantas Lobo, pesquisador da Agroicone.

De acordo com Lobo, as boas práticas agropecuárias são estratégias de mitigação de risco, da mesma forma que o seguro rural. Nesse âmbito, o produtor rural pode, por exemplo, adotar boas práticas para mitigar sua própria parcela de risco e, ao mesmo tempo, contratar o seguro. Ou, por outro lado, pode levar em conta que, adotando as melhores práticas, está apto a dispensar o seguro, por considerar que já está com seu risco reduzido.

“Temos interesse em identificar como se dá a tomada de decisão do produtor em adotar estratégias de mitigação de risco via boas práticas e seguro rural – essa relação tanto de complementaridade quanto de substitutibilidade”, detalha o pesquisador da Agroicone. “Para fazer uma análise nesse sentido, no entanto, a gente precisa de informação de produtor, o que é uma coisa um tanto quanto escassa”, aponta.

Lobo cita que uma pergunta crucial era saber se o produtor contratava o seguro rural, o que não era contemplado por outros levantamentos. “Buscamos o LUPA pelas informações disponíveis a nível de produtor, respondendo essa pergunta muito importante, relacionada ao seguro, e outras, referentes às boas práticas (se o produtor adota plantio direto, se ele rotaciona cultura etc)”, afirma.

Segundo Lobo, a ideia do projeto desenvolvido com apoio do LUPA é orientar tanto seguradoras quanto a política agrícola em si sobre a importância das boas práticas agropecuárias no contexto do seguro rural. “Um produtor que já adota as melhores práticas, e, portanto, mitiga seu próprio risco, deveria ter condições de apólice de seguros mais interessantes do que aquele produtor que não adota, e que vai estar mais exposto ao risco. Precisamos entender as estratégias de mitigação de risco como um todo e não de forma individual – só seguros ou só boas práticas -, pois elas se interrela cionam”, complementa.

O especialista da Agroicone ressalta a disponibilidade do corpo técnico do IEA, que esteve disponível para auxiliá-lo em sua pesquisa, e a relevância do serviço prestado pelo Instituto para o agro por meio do LUPA. “É preciso que seja cada vez mais facilitado e incentivado o uso dessas informações, que são de extrema valia para quem trabalha e pesquisa no setor de agropecuária”, finaliza Lobo.

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