Plano Safra 2022/2023 terá aumento de 36% em volume de crédito

O Plano Safra 2022/2023 terá um volume total de crédito de R$ 340,8 bilhões para financiar as atividades de custeio, investimentos e comercialização na agropecuária brasileira. O anúncio foi feito pelo governo federal na quarta-feira (29/06), no Palácio do Planalto, em Brasília-DF. As novas condições, válidas até 30 de junho de 2023, começam a vigorar a partir de 1º de julho de 2022.

O montante representa um aumento de 36% no volume de crédito rural em relação à safra 2021/2022. Para financiar o custeio e comercialização, foram destinados R$ 246,28 bilhões (+39%). Os recursos para investimentos aumentaram 29% na mesma comparação, totalizando R$ 94,6 bilhões.

No novo Plano Safra, os recursos com juros controlados aumentaram 18% em comparação com a safra 2021/2022, passando para R$ 195,7 bilhões. Já os recursos a taxas livres cresceram 69%, chegando a R$ 145,18 bilhões.

Para o segundo vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos da Rosa, o Plano Safra é necessário e faz parte de um plano de governo de incentivo ao produtor rural.  “O Plano Safra é um balizador e o Brasil passa por dificuldades financeiras, tanto que existiu resistência do próprio Ministério da Fazenda em aumentar os subsídios apresentados, mas o que tem que ficar claro é que o Plano não é uma ‘salvação da pátria’. É simplesmente um plano de governo necessário para fomentar a economia e incentivar o produtor a continuar produzindo”, disse Marcos da Rosa.

As linhas de crédito para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) terão R$ 53,61 bilhões (+36%). Para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), foram R$ 43,75 bilhões (+28%). E para as demais linhas, R$ 243,50 bilhões (+37%).

Com a Selic em 13,25% ao ano, o crédito rural terá taxas maiores, o que já era dado como certo por representantes do agronegócio e do sistema financeiro. Nas linhas de financiamento para custeio e comercialização, variam de 5% ao ano e 12% ao ano. No investimento, de 7% ao ano a 12,5% ao ano.

De acordo com o Mapa, todas as taxas ficaram abaixo da Selic. O crédito para Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e para o Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) terão as menores taxas do Plano Safra.

Armazenamento – Conforme o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, o armazenamento ainda é um dos grandes gargalos em Mato Grosso.

“Neste momento ainda é muito difícil prever como será a aplicação para este ano, pois apesar de as taxas estarem abaixo da Selic, uma taxa de juros maior traz grandes desafios para investimentos de longo prazo, como a armazenagem. Além do encarecimento do crédito, também tivemos uma significativa elevação dos custos para implantação de novas estruturas de armazenagem. Assim, os produtores precisam avaliar se vale a pena fazer esse investimento esse ano, ou buscar outras alternativas”, pontuou o superintendente.

O montante de recursos para o ABC totalizou R$ 6,19 bilhões, incluindo financiamento para a utilização de energia renovável e para remineralizadores de solo (pó de rocha), uma aposta para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes importados.

Para o PCA chegou a R$ 5,13 bilhões. Neste ano, foi instituído um limite de financiamento de R$ 50 milhões para investimentos relativos à armazenagem de grãos. Para o armazenamento dos demais itens, o limite continua sendo de R$ 25 milhões. Já para o programa Inovagro, de incentivo à inovação, foram destinados R$ 3,51 bilhões.

Segundo o Mapa, estão previstos financiamentos para sistemas de conectividade no campo, softwares e licenças para gestão, monitoramento ou automação das atividades produtivas, além de sistemas para geração e distribuição de energia produzida a partir de fontes renováveis.

Na avaliação do superintendente do Imea é difícil fazer uma análise precisa de como o produtor vai fazer a captação para esse ano, tendo em vista a alta nos fertilizantes e a liberação de limites por CPF.

“É preciso ver como será o posicionamento dos produtores, diante das perspectivas de redução de 20% a 30% na aplicação de fertilizantes do estado, o que tende a impactar a captação do produtor nesta temporada. E o outro ponto também que estamos acompanhando e olhando mais de perto é como será a liberação dos limites financiáveis por CPF”, destacou Gauer.

O Mapa anunciou ainda que R$ 2 bilhões serão destinados à subvenção do prêmio do seguro rural. Foi mantida a regra atual de percentuais de subvenção: 20% para as lavouras de soja e de 40% para outros grãos e demais culturas. Nas regiões Norte e Nordeste, as proporções serão maiores, de 30% e 45%, respectivamente.

O programa do seguro rural prevê também percentuais diferenciados de subvenção para produtores rurais que adotam a Agricultura de Baixo Carbono. Na cultura da soja, será de 25%. Outros grãos e demais culturas, 45%.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email

Revista PecSite

NOSSOS PARCEIROS

Notícias Relacionadas

Notícias Relacionadas

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Busca por palavra chave ou data

Selecione a Data

Busca por palavra chave ou data

Selecione a Data
PecSite
SuiSite

Revista AviSite

CONFIRA OS DESTAQUES DA NOSSA ULTIMA EDIÇÃO

boi (1)

Ministério da Agricultura suspende vacinação contra a Febre Aftosa em seis estados e no DF a partir de novembro de 2022

A ação faz parte do projeto de tornar todo o país livre de febre aftosa sem vacinação até 2026. Página 20.

rp-1

Sistema de Gestão e Mobilidade à frente da Agroindústria 4.0

A transformação digital através de Sistemas de Gestão tem sido essencial para alavancar todos os negócios relacionados à agroindústria. Página 22.

 

 

rp2

Pesquisa auxilia na identificação de genes relacionados à resistência à babesiose bovina

O rápido diagnóstico sobre quais parasitos atacam os animais auxilia o criador a identificar o tipo de agente logo no início dos sintomas. Página 27.

rp3

Uso de tecnologias na pecuária contribui para reduzir metano e diminuir impacto no clima

Em 2021, durante a 26ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP26, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir 30% das emissões de metano até 2030. Página 40.

boi (6)

Estudo demonstra impactos socioeconômicos da recuperação de pastagens pelo Plano ABC

Além da mitigação de emissões, a tecnologia permitiu o aumento da renda do produtor rural e da produtividade nas pecuárias de corte e de leite. Página 36.

rp5

O condomínio de Produtores Rurais: As peculiaridades e os riscos assumidos

O agronegócio é uma potência no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, sendo o único setor que continuou em crescimento durante a pandemia. Página 44.

rp6

Contrato a Termo: Conab lança modalidade de leilão para abastecer pecuaristas

Contrato a Termo: Conab lança modalidade de leilão para abastecer pecuaristas

O novo sistema pode ser usado tanto para garantir um preço fixo na compra com entrega futura quanto para assegurar a fixação de preços de acordo com termos pré-definidos em edital. Página 48.

rp7

Qualidade da água e sua influência no sucesso da pecuária

Elemento fundamental para a vida dos seres vivos, a água é um componente muito importante para a boa performance e para a saúde do rebanho. Página 30.

Fale agora no WhatsApp